Certa vez um andarilho resolveu mudar de cidade a fim de tentar melhor
sorte em outro local. Como não tinha recursos, começou sua jornada caminhando
por uma das maiores estradas do estado. Passados alguns dias estava faminto e
exausto quando avistou um posto de combustível destinado a caminhoneiros. Neste
local estes trabalhadores além de abastecerem seus veículos, tomam banho,
alimentam-se e repousam por algumas horas.
O local tinha uma pequena estalagem e lhe chamou a atenção o nome do
estabelecimento “São Jorge e o Dragão”. Resolveu bater a porta quando uma
mulher com visível mau humor lhe atendeu:
- O que deseja?
- Minha Senhora, estou caminhando há dois dias sem nada comer, não teria
algo que pudesse me oferecer?
A mulher demonstrando profunda irritação lhe diz:
- Mas o senhor é um vagabundo mesmo! Não tem mais o que fazer do que
incomodar os outros? Ponha-se daqui para fora imediatamente... (e lhe bateu a
porta na face com violência).
O pobre andarilho assombrou-se com a reação inesperada. Deu alguns
passos para trás, olhou novamente o nome da estalagem, “São Jorge e o Dragão”,
e resolveu bater novamente a porta.
Desta vez a mulher já o atendeu com a vassoura em mãos e irada lhe
perguntou: - E agora o que deseja?
Respondeu-lhe o andarilho:
- Bem, com a Senhora eu já falei,
poderia agora falar com São Jorge, afinal o dragão já me atendeu não é?
Esta pequena história nos adverte sobre as fraquezas que ainda temos e
precisam ser controladas. Geralmente quando somos incomodados e retirados de
nossa zona de conforto quem primeiro atende a nossa porta é nosso dragão
interior. Reagimos frente à grande maioria dos desafios de nossas vidas com
irritação e azedume.
Desta forma nos cegamos frente às oportunidades que se apresentam nestes
instantes e quando permitimos que nossos piores sentimentos sejam os primeiros
a atender nossas necessidades uma montanha de problemas são gerados, portas são
fechadas, amizades e lares são destruídos.
Controlar nossas atitudes intempestivas não é tarefa fácil e exige
disciplina para que certos vícios de comportamento sejam domados. Resumindo,
precisamos educar nosso íntimo.
Portanto, entender nossas emoções e lutar para corrigir certos
temperamentos é medida acertada que evita dissabores e trás paz interior. E
somente em paz podemos usufruir melhor dessa bela jornada chamada vida.
Pense
nisso!
Por Ivan da Cunha

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