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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Transfusão

     
    Numa aldeia vietnamita, um orfanato dirigido por um grupo de missionários foi atingido por um bombardeio. Os missionários e duas crianças tiveram morte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas, uma menina de oito anos, considerada em pior estado.

     Era necessário chamar ajuda por um rádio e, ao fim de algum tempo, um médico e uma enfermeira da Marinha dos EUA chegaram ao local.

     Teriam que agir rapidamente, senão a menina morreria, devido aos traumatismos e à perda de sangue.
Era urgente fazer uma transfusão, mas como...

      Reuniram as crianças e, entre gesticulações, arranhadas no idioma, tentavam explicar o que estava acontecendo e que precisariam de um voluntário para doar o sangue.

   Depois de um silêncio sepulcral, viu-se um braço magrinho levantar-se timidamente.

    Era um menino chamado Heng. Ele foi preparado às pressas, ao lado da menina agonizante, e espetaram-lhe uma agulha na veia. Ele se mantinha quietinho e com o olhar fixo no teto.

     Passado algum momento, ele deixou escapar um soluço e tapou o rosto com a mão que estava livre.

     O médico lhe perguntou se estava doendo, e ele negou. Mas não demorou muito a soluçar de novo, contendo as lágrimas. O médico ficou preocupado e voltou a lhe perguntar, e novamente ele negou.

     Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso, mas ininterrupto.
 
     Era evidente que alguma coisa estava errada.

    Foi então que apareceu uma enfermeira vietnamita vinda de outra aldeia. O médico pediu então que ela procurasse saber o que estava acontecendo com Heng.

    Com a voz meiga e doce, a enfermeira foi conversando com ele e explicando algumas coisas. E o rostinho do menino foi se aliviando. Minutos depois ele estava novamente tranquilo.

      A enfermeira então explicou aos americanos:

    - Ele pensou que ia morrer, não tinha entendido o que vocês disseram e estava achando que ia dar todo o seu sangue para a menina não morrer.

   O médico aproximou-se dele e, com a ajuda da enfermeira, perguntou:
 
      - Mas, se era assim, porque então que você se ofereceu a doar seu sangue

        E o menino respondeu, simplesmente:
      
       - Ela é minha amiga...

        
        Autor Desconhecido

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