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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Você Confia na Espiritualidade?





Muitos e muitos médiuns de Umbanda, no decorrer do desenvolvimento mediúnico, aprendem métodos de incorporação enlatados, em um padrão, e podam a natureza de seus Guias fazendo com que os mesmos tenham que se adaptar ao que o médium aprende como sendo o correto.

Hoje, criaram-se padrões universais para a incorporação e, mais grave ainda, criou-se um estigma de que quanto mais conhecido for o Guia no sentido do nome, mais poderoso Ele é e mais respeitado será o trabalho do médium  que o incorpora. Isto é uma real inversão de valores, visto que o nome dos Guias pouco importa; o que realmente importa é seu trabalho e seu poder de realização.

Hoje em dia, Exu deve sempre vir ereto; Caboclo não pode dar seu brado de guerra e Preto Velho deve falar quase que sem sotaque.

Será que a Umbanda necessita mesmo deste tipo de retaliação aos arquétipos sagrados que a sustenta?

Ao meu ver, o médium deve dar vazão total a natureza do Guia!

Independe de nome, de forma de trabalho, de postura. O que realmente importa é que seja real e pleno o trabalho dos Guias em uma Gira de Umbanda!

Ética, educação, bom senso e luz todos os Guias tem, não há necessidade de doutriná-los, visto que, se são Guias, são muito mais evoluídos que nós e carregam ativo um mistério dentro de si que fará todo um trabalho a quem quer que os procure.

Deixemos fluir realmente a essência dos Guias em nossas vidas e em seus trabalhos!

Vamos confiar mais em seus mistérios e forças e abrirmos nossas mentes para que nossos Guias não tenham a necessidade de se moldar aos nossos tabus e dogmas de conceitos novos que nada trazem de útil aos trabalhos atuais.

Não devemos podar de maneira alguma as manifestações de nossos Guias em detrimento do que nós imaginamos e aprendemos que seja o correto.

Lembre-se que, confiando em primeiro lugar em seu Guia, tudo fluirá naturalmente em sua jornada mediúnica; e, quem o faz, recebe ensinamentos e oportunidades profundas de evolução e esclarecimento acerca dos mistérios do Criador.

Que todos os Guias sejam libertados das amarras que muitos colocam neles no momento dos trabalhos em busca de um arquétipo “perfeito” e “evoluído” de uma modernidade que está a cada dia robotizando nossos Guias para satisfazer uma pseuda evolução de nossa religião.

Por Sacerdote Marcel Oliveira.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Perdão





Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?"
Jesus respondeu: "Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete.”
(Mateus 18:21-22)
 

Perdoar é uma das atitudes mais difíceis para a maioria dos seres humanos. Geralmente quando alguém nos impõe alguma ofensa, traição, decepção ou mágoa, tendemos a passar muito tempo remoendo estes sentimentos e revivendo o momento em que eles nos foram causados.

Isto ocorre por duas razões principais: a primeira delas é que vivemos o tempo todo sob o domínio do ego e é ele quem nos faz cultivar sentimentos como a rejeição, o amor-próprio ferido, a baixa auto-estima que, geralmente, trazem como resultado outras tantas emoções negativas como a raiva, o desejo de vingança, o orgulho.

A segunda razão que torna difícil o perdão é uma conseqüência da primeira. Ou seja, passamos a viver no passado, lembrando o tempo todo da atitude negativa do outro e culpando-o por nossos problemas e infelicidades.

Existem situações em que o exercer o perdão é de fato um grande desafio, pois a gravidade da ofensa e do sofrimento que nos impingiram é muito grande. Porém, uma atitude mental que facilita o exercício do perdão é pensarmos que os seres humanos são espíritos em evolução e que, portanto, aquele que nos magoou o fez por não ter ainda a consciência da responsabilidade espiritual de cada atitude que tomamos, e por estar sob o domínio total do eu inferior, o lado obscuro que habita em todos nós.

Perdoar é uma atitude altamente saudável e libertadora, acima de tudo para nós mesmos. Ao fazê-lo, sentimos uma enorme sensação de alívio, como se nos livrássemos de um grande peso. E, ao mesmo tempo, rompemos a amarra que nos mantém presos ao passado e àquele que nos magoou. Muitas pessoas acabam se curando de doenças físicas graças a esse processo já que algumas doenças físicas estão diretamente relacionadas com a raiva e o ressentimento.

Praticar o perdão é também um excelente exercício de humildade, pois para fazê-lo, é necessário transcender o ego, que todo o tempo tenta nos convencer de que perdoar é um ato de fraqueza, uma atitude de quem não possui amor-próprio.

Por mais estranho que pareça, é exatamente o contrário. Perdoar é um ato de grandeza, direcionado pelo que há de melhor em nós. É nossa sabedoria interior, a porção divina que habita em cada ser humano que nos ajuda a vencer a resistência ao perdão. Mas, para isso, é preciso que nos conectemos com essa energia e deixemos que ela seja o nosso guia.

Mesmo que seja difícil perdoar alguém pessoalmente podemos fazer um exercício de meditação, visualizando a pessoa e mantendo com ela um diálogo imaginário, onde expressamos nosso perdão.

Este exercício será muito benéfico para que limpemos nosso coração da mágoa acumulada e, ao mesmo tempo, libertemos a pessoa em questão, uma vez que ao cultivarmos a mágoa, a mantemos energeticamente presa a nós pela força do pensamento.

Ao realizar esse processo pela primeira vez, é natural que não experimentemos uma sensação de alívio nem de libertação, dependendo do grau de importância que a pessoa tem para nós. A princípio pode ser necessário extravasar nossa mágoa e nossa raiva através do choro ou até mesmo esmurrando um travesseiro ou almofada.

O importante é liberar as emoções negativas acumuladas, deixá-las partir e desligar-se de nós em definitivo. Outro ponto essencial é não forçar nada antes que o sentimento de aceitação do perdão seja realmente verdadeiro em nós. Podemos continuar repetindo o processo periodicamente até que o problema seja solucionado em definitivo e nossas mágoas sejam transmutadas em paz e felicidade.

Por Elisabeth Cavalcante