Muitos e muitos médiuns de Umbanda, no decorrer do desenvolvimento
mediúnico, aprendem métodos de incorporação enlatados, em um padrão, e podam a
natureza de seus Guias fazendo com que os mesmos tenham que se adaptar ao que o
médium aprende como sendo o correto.
Hoje, criaram-se padrões universais para a incorporação e, mais grave
ainda, criou-se um estigma de que quanto mais conhecido for o Guia no sentido
do nome, mais poderoso Ele é e mais respeitado será o trabalho do médium
que o incorpora. Isto é uma real inversão de valores, visto que o
nome dos Guias pouco importa; o que realmente importa é seu trabalho e seu poder
de realização.
Hoje em dia, Exu deve sempre vir ereto; Caboclo não pode dar seu brado
de guerra e Preto Velho deve falar quase que sem sotaque.
Será que a Umbanda necessita mesmo deste tipo
de retaliação aos arquétipos sagrados que a sustenta?
Ao meu ver, o médium deve dar vazão total a
natureza do Guia!
Independe de nome, de forma de trabalho, de postura. O que realmente
importa é que seja real e pleno o trabalho dos Guias em uma Gira de Umbanda!
Ética, educação, bom senso e luz todos os Guias tem, não há necessidade
de doutriná-los, visto que, se são Guias, são muito mais evoluídos que nós e
carregam ativo um mistério dentro de si que fará todo um trabalho a quem quer
que os procure.
Deixemos fluir realmente a essência dos Guias
em nossas vidas e em seus trabalhos!
Vamos confiar mais em seus mistérios e forças e abrirmos nossas mentes
para que nossos Guias não tenham a necessidade de se moldar aos nossos tabus e
dogmas de conceitos novos que nada trazem de útil aos trabalhos atuais.
Não devemos podar de maneira alguma as manifestações de nossos Guias em
detrimento do que nós imaginamos e aprendemos que seja o correto.
Lembre-se que, confiando em primeiro lugar em seu Guia, tudo fluirá
naturalmente em sua jornada mediúnica; e, quem o faz, recebe ensinamentos e
oportunidades profundas de evolução e esclarecimento acerca dos mistérios do
Criador.
Que todos os Guias sejam libertados das amarras que muitos colocam neles
no momento dos trabalhos em busca de um arquétipo “perfeito” e “evoluído” de
uma modernidade que está a cada dia robotizando
nossos Guias para satisfazer uma pseuda evolução de nossa religião.
Por Sacerdote Marcel Oliveira.
